5 de junho de 2007

Mensagem do D. Ximenes Belo, SDB

MENSAGEM AO FORUMJET


Não podendo estar presente no “Fórum Juventude e Estudantes Timorenses”, venho enviar aos participantes esta pequena mensagem como sinal da minha presença em espírito e da minha solidariedade.
Antes, porém, seja-me permitido saudar o senhor Embaixador de Timor-Leste, Sua Ex.cia Dr. Manuel Abrantes, os ilustríssimos oradores, os jovens e estudantes Timorenses e demais convidados.
Entramos no 5.º aniversário da Independência de Timor-Leste. Esta ocorrência convida-nos a uma reflexão séria sobre a situação social e política em Timor. É uma realidade que Timor-Leste faz parte da grande Família das Nações, desde que se tornou membro das Nações Unidas, em Setembro de 2002. Os Estados que compõem esta organização internacional deram um contributo importante para a afirmação de Timor-Leste como nação livre e independente. Passados cinco anos, a ONU continua presente em Timor. E o que é que nós, os Timorenses fazemos para consolidar a independência que custou tanto sofrimento e tantas vítimas? Qual é a nossa contribuição para tornar Timor uma “Pátria de todos”, sem excepção? Depois de cinco de independência, muitos dos nossos compatriotas, dentro do território, continuam a viver debaixo de lonas. Muitos são vítimas de abusos de direitos humanos no concernente à integridade física, à liberdade e, à segurança pessoal.
Reconhecemos que nos primeiros cinco anos, a despeito de todas as crises, consolidaram-se os órgãos de soberania, as instituições democráticas, a liberdade de imprensa e o funcionamento de sectores importantes da vida económica, cultural e desportiva.
Espera-se que nos próximos cinco anos, os governantes sejam capazes de corrigir os desvios e os erros, e, melhores as condições de vida tantos “mauberes” e “buiberes” dos bairros pobres de Díli e das aldeias no interior do Território. Cremos que o objectivo de toda a política deve ser o Bem Comum dos mais pobres e desfavorecidos: habitação digna, saneamento, transportes, vestuário, alimentação, saúde, educação, segurança e ordem pública, combate à corrupção e ao perigo de divisões étnicas. Se os governantes conseguirem satisfazer este Bem Comum, Timor-Leste terá dado passos de gigante na senda do progresso e de desenvolvimentos.
Um outro aspecto que julgo importante é o da justiça e da reconciliação. Sua Santidade, o Papa Bento XVI, que acabou de proferir um discurso importante na apresentação das Cartas Credenciais do novo Embaixador de Timor-Leste junto da Santa Sé, Dr. Justino Guterres, diz: “A justiça é o objectivo, consequentemente, também a medida intrínseca de toda a política. A política é mais do que uma simples definição dos ordenamentos públicos: a sua origem e o seu objectivo estão precisamente na justiça, e esta é de natureza ética. Assim o Estado defronta-se inevitavelmente com a questão: como realizar a justiça aqui e agora? Mas esta pergunta pressupõe outra mais radical: o que é a justiça? Isto é um problema que diz respeito à razão prática; mas, para poder operar rectamente, a razão deve ser continuamente purificada porque a sua cegueira ética. Derivada da prevalência do interesse e do poder que a deslumbram, é um perigo nunca totalmente eliminado” (in Carta Encíclica Deus Charitas est).
Os grandes pecados contra a justiça, em Timor, neste momento, são: a não resolução dos problemas dos deslocados nos campos de refugiados; a não solução do problema dos peticionários; a fala de postos de trabalho para os jovens; a corrupção, o compadrio, o nepotismo; a divisão étnica entre Loro sae e Loro monu, ente Firaku e Kaladi; a pobreza extrema nos bairros pobres e aldeias; o alto nível de prostituição; a submissão e subserviência aos poderes económicos internacionais para a exploração do petróleo e do gás natural no mar de Timor.
Uma boa estratégia de desenvolvimento de Timor-Leste, para os próximo cinco anos seria a recomendação do Papa Bento XVI, no discurso dirigido ao em Embaixador de Timor-Leste, no dia 21 de Maio pp.: “ Aos novos representantes e servidores e servidores deste povo [de Timor-Leste], que já sofreu demais, peço que não desiludam tal esperança mas se empenhem numa progressiva democratização da sociedade, procurando aumentar a participação de todos os grupos numa ordem da vida pública que seja representativa e juridicamente tutelada” in L’Osservatore Romano, Edição Semanal em Português, 26 de Maio de 2007, p. 3).
Obrigado
D. Carlos Filipe Ximenes Belo, SDB

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